Sete
Contra Tebas é uma tragédia grega, que apresenta os filhos do infeliz Édipo
lutando, junto com seus heróis, pela posse da cidade de Tebas. Na peça é mostrado um soberano que não ouve seus
súditos e se empenha em uma guerra suicida contra seu próprio irmão. As vozes
que se erguem contra o soberano são as de um coro de mulheres, que mostram uma
outra guerra: os efeitos sobre as que perdem esposos e filhos e que ainda
acabam como despojos.
Assim, a Sete Contra Tebas articula questões políticas, estéticas e de
gênero, produzindo nesta complexidade, o seu apelo atual: em que confiar? quem
é o inimigo? por que a luta?
O que propomos é trazer este impulso
plural da tragédia grega para um espetáculo multimídia, a ser realizado dentro
das atividade do Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos(SBEC),
que trará Brasília mais de mil pesquisadores, estudantes e interessados na
recepção da antiguidade, todos vindos de diversas partes do Brasil e do
exterior. Note-se que o tema do congresso será O futuro do passado, o que
estabelece uma interface entre a cidade de Brasília, capital da esperança, e
atualidade da memória, essa memória do futuro presente em Sete Contra Tebas. O evento tem o apoio da Unesco. Ainda, a montagem de Sete Contra Tebas marcará o lançamento de um festival lusófono de
obras baseadas em temas clássicos.
A opção por encenar Sete Contra Tebas na capital do poder do Brasil justapõe as
referências entre a cidade sitiada de ontem (Tebas) e a cidade em transformação
de hoje (Brasília). Na Tebas, a voz
ditatorial de um homem procura calar a democracia representada pelo coro de
mulheres; em Brasília, eleita pela democracia, uma mulher enfrenta as vozes e
as heranças contraditórias de um país que luta para ser mais justo.
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